EUA, 09. Direção de Spike Jonze. Com Max Records, Pepita Emmerichs, Max Pfeifer, Madeleine Greaves , Joshua Jay, Catherine Keener, Mark Ruffalo, vozes de James Gandolfini, Catherine O´Hara, Paul Dano, Forest Whitaker, Chris Cooper, Michael Berry Jr. Warner . 101min.
Cultuada versão de livro infantil pequeno e curto, de Maurice Sendak, que saiu recentemente no Brasil.
Poderíamos discutir a tradução do título, já que os personagens não são exatamente monstros, mas o lado selvagem que todo mundo tem e com quem precisamos aprender a lidar, em particular o protagonista, o menino Max.
O filme só foi feito porque o diretor Spike Jonze tem muito prestígio (é o primeiro trabalho desde Adaptação, de 2002), o filme custou por volta de R$200 milhões e chegou a R$ 150 milhões de renda, ou seja nunca vai se pagar.
Segundo a lenda, o próprio autor do livro procurou Jonze e pediu para ele fazer o filme, já que o projeto estava parado desde os anos 90. Aqui no Brasil, ele será lançado como filme de arte, com poucas cópias e não dubladas, ou seja, assumiram que não é filme para crianças e que elas não irão assistir. Por outro lado, o longa recebeu indicação de trilha no Globo de Ouro e filme e trilha no Satellite.

Basicamente, a questão é se você vai ou não embarcar na fantasia. O livro não mostra o garoto em sua vida cotidiana como faz o filme. Max é um garoto que vive com a mãe (Keener, atriz favorita de Jonze), que tem um novo namorado (Ruffalo) e uma irmã que não o apoia quando ele precisa.
Revoltado, o garoto resolve fugir de casa e, sem dar muitas explicações, pega um barco de repente e, miraculosamente, vai parar no meio do Oceano, onde chega a uma ilha inóspita e isolada, habitada por figuras estranhas, grandes e com cara de bonecos de Jim Henson (ou seja, aquilo que você viu em Muppets e Vila Sésamo) só que menos bem - feito.
Eu, particularmente, não curto muito gente vestida de boneco, ainda mais grande e mal manipulado. Talvez esse seja o obstáculo que tive para mergulhar no filme e nas peripécias pretensiosas do garoto com sua nova família (com certeza a firma de Henson não fez bonecos mais convincentes porque o diretor não quis, preferiu desse jeito mesmo, meio rústico).
Claro que a filmagem, que começou em 2005, foi difícil (os atores só aguentavam uma hora dentro das roupas). E seria o caso de pensar se não teria sido melhor fazer logo um filme de animação ou mista de atores e animação (Jonze não quis porque achou que desta forma seria mais excitante e perigoso! Erro dele).
Contam que a Warner ficou tão insatisfeita com o resultado, que chegou a pedir para Jonze refilmar grande parte (o estúdio queria algo mais acessível para as crianças também).
Enfim, algumas coisas acontecem, mas depois de um certo tempo a brincadeira se torna cansativa e fácil de imaginar o resultado. Senti falta de magia, de personagens mais fáceis de se identificar e reagir, que a ação e moral fossem menos óbvias. Pronto, não embarquei mesmo. Mas tenho a certeza de que o filme terá admiradores e defensores. Normal e justo.